quinta-feira, março 30, 2006

Do Primeiro de Dezembro - O Gume experimenta a Poesia III

Portugueses, eu, Restaurador,
De nome D. João, que será quarto,
Prometo, hoje, restaurar a dor
De que o povo português está farto!

Eu sou a alegoria do Futuro,
O Princípio do Novo Portugal:
De Salazar, esse boi casmurro,
A Santana, bobo Universal!

Eu sou a consciência, povo meu,
Da Grandeza que Portugal perdeu
Por deixar o senso p’ra depois.

Eu sou o orgulho deste país lento,
Que há-de acordar, um dia, num lamento,
Por ter expulsado os cérebros espanhóis…

(...)

(Discurso de El-Rei D. João IV, a 1 de Dezembro do ano do Senhor de 1640,
Encontrado em Lisboa e trazido, no mesmo dia, para Lausanne a 01/12/04)

Nota Explicativa:

Foi a 1 de Dezembro, precisamente, mas de 2004, na Torre do Tombo, onde fui procurar notas sobre as crónicas medievais, que encontrei, num pergaminho amarrotado pelos anos, este discurso de tomada de posse de D. João IV, o verdadeiro, (o discurso, não D. João) que, por motivos assaz compreensiveis mas inteiramente reprováveis, foi, até aqui, afastado da consideração dos portugueses. É por dever cívico e responsabilidade e integridade moral que ponho à luz esta prova de clarividência. Afinal, nem todos os que governam serão, por força, idiotas…